Nenhum CNPJ vale um AVC.

Posted by on jul 20, 2019 in Blog | Acompanhe nossas notícias | No Comments

 

De vez em quando, nos momentos mais difíceis, eu me pego pensando, porque estou fazendo isso? Ou porque estou aceitando isso?
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Talvez não seja segredo para ninguém o quanto eu curto o que eu faço. O universo das marcas. Mas o principal por trás disso. O quanto eu amo trabalhar.

O desafio é encontrar o equilíbrio num mundo tão competitivo em que gurus de internet te mandam dizer amém para tudo e incorporar o “tripallium”, que era o instrumento de tortura de pessoas destituídas de bens na escravidão.

Daí a origem da palavra trabalho. Para alguns, vale tudo, arrebentar o corpo, deixar a família de lado, chutar a honestidade e a ética, extorquir tudo que puder de seus parceiros. Viver a legítima roda dos ratos, gananciosamente.

Não importa em que estado você deixa a pessoa após falar com ela. Questões humanas ficam em segundo plano. O que vale é incomodar. Causar, ocupar até os seus espaços de descanso. Como diria Tyler Durden, do filme Clube da Luta, “compramos coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, pra impressionar pessoas de que não gostamos”. É o que estes malucos que nos sugam fazem.

Eu comecei a trabalhar com cerca de 11 anos de idade numa barraca de churros. Do Alceu, meu amigo até hoje. Já compartilhei essa história uma vez. Em seguida fui jornaleiro na praia com 12, vendia na beira do mar, com 100% de lucro. Pegava na banca de revistas do meu pai e ia pra lá fazer o meu. Com 14 anos eu tive meu primeiro emprego com carteira assinada, de empacotador de supermercado. E com 16 e 17 fui garçom.

O trabalho para mim é algo que dignifica a alma, engrandece o ser. E quando você vê o resultado do que você faz na vida das pessoas é o que enobrece mais ainda o espírito. Eu passei os três primeiros anos da universidade devendo, desempregado, renegociando mensalidades, sendo perseguido pelo financeiro da instituição. Ainda levei 7 anos após formado pagando o FIES.

Sei exatamente como uma pessoa se sente quando ela não tem trabalho e não se vê útil. Você fica deprimido. E não sei como, talvez com muita raça e fé, cheguei nela até o final. Direitinho, em quatro anos.

Mesmo carregando toda essa dor, eu consegui entrar como estagiário numa indústria, ser efetivado depois de 1 ano e 2 meses que parecia uma eternidade.

Ainda consegui receber o prêmio de melhor aluno na colação de grau. Só que eu não estava lá…rs… porque a cerimônia e o baile eu não pude pagar. Mas o prêmio tá comigo até hoje com carinho. E pouco tempo depois pude virar coordenador de todo o setor onde comecei como estagiário.

Fui forjado na dificuldade. Em ambiente hostil, fora e dentro de casa. E o mundo do empreendedorismo tem dias que desafia a sua sanidade mental. É algo que precisa ser olhado sob o prisma da positividade todo santo dia (as vezes eu esqueço, confesso). Se você permitir te enlouquece.

Aprendi não faz muito tempo que o que consagra um negócio é lucro, resultado e fila de espera. E quando isso não acontece a gente desaba. Eu já tive as piores fases que vocês possam imaginar como empresário. Cometi centenas de erros e vivo na busca de eliminar meus medos.

Mas há algum tempo, vejo que o melhor a fazer é tipo isso que estou fazendo aqui, não varrer a sujeira para debaixo do tapete. Sendo honesto. E mesmo encarando as realidades de frente, procuro lembrar todo dia de cuidar do meu templo, meu corpo, que é minha morada nesse plano para poder ter boas ideias e me inspirar.

E dentro das corporações, nesse mundo corporativo, quando algo sai errado, a primeira coisa que as pessoas fazem é se vitimizar. Ou querer meter a culpa em alguém. A pressão é absurda, ainda mais em tempos que não se respeita nem a nossa integridade e privacidade, com recados fora de horários que ferem a nossa paz. E quando recobro a lucidez, lembro de uma máxima: “Nenhum CNPJ vale um AVC”.

Texto escrito com o coração por Alexandre Linhares.

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